5 de maio de 2010

Homem de Ferro 2 (Jon Favreau, 2010)



Ironia é a palavra que define a essência do Homem de Ferro, e felizmente, a essência da transposição do herói para as telas, em 2008, foi mantida na sua continuação, graças a um protagonista – e falo dos dois, personagem e ator – fabuloso para desenvolver esse item tão próprio do herói. O Homem de Ferro é, ao mesmo tempo, cria e algoz. Nasceu do cordão umbilical da indústria bélica, e é o maior trunfo para combatê-la. A ironia aumenta quando se insere o outro elemento dessa equação: combate a indústria bélica com armas mais poderosas, modernas e destrutivas que as dela. Combater fogo com fogo é a receita do herói que busca a paz – aí, sim, sem ironia, para desespero dos magnatas que lucram milhões com a indústria armamentista.

É curioso como tudo em “Homem de Ferro 2" se desenvolve em torno desse setor da economia que é o mais lucrativo do mundo. No universo de Tony Stark, não existem super-poderes, mas super tecnologias. Quem tem acesso a elas disputa o poder de fazer as escolhas dos rumos a serem seguidos. Na rabeira desses conflitos, sobram críticas ao discurso americano cheio de hipocrisia e patriotismo disfarçado. De certa forma, o Homem de Ferro é um dos mais anti-americanos de todos os heróis.

Em “Homem de Ferro 2”, há duas linhas narrativas claras. Uma delas envolve os “vilões” da história: um concorrente de Stark – mais do que nunca um astro depois de revelar sua identidade ao mundo no final do primeiro filme – vivido por Sam Rockwell e um cientista russo igualmente brilhante, mas renegado (Mickey Rourke) que pouco se importa com dinheiro: busca apenas a vingança contra Stark, uma busca ligada diretamente ao passado de seu pai.

A segunda linha narrativa gira em torno do grupo de personagens que, por sua vez, gravita em torno de Stark (e essa simbiose entre os personagens é o grande trunfo da série, já que o público aceita de forma natural essa trama, não exige pelas cenas de ação e as aceita quando elas acontecem, naturalmente). A secretária, Peper Potts (Gwyneth Paltrow, sem muito o que fazer em cena), o melhor amigo, James Rhodes (agora vivido por Don Cheadle, dando maior seriedade e credibilidade ao papel), a nova funcionária de Stark, Natalie Rushman (Scarlett Johanson, ofuscando completamente Paltrow ) e os agentes da misteriosa S.H.I.E.L.D. Acima de todos, está o próprio Stark, um personagem dúbio que concentra as diversas sub-tramas, inseridas na medida certa.

Stark é uma personagem que equilibra de forma perigosa o medo de alcançar seus limites e a curiosidade de saber até onde eles vão. É mais forte do que ele, assim como sua arrogância anda lado a lado com uma recém adquirida benevolência, ausente na maior parte da sua vida. É um herói de duas caras e uma identidade, e por isso mesmo, tão humano, real e palpável. E, para balançar ainda mais essa corda suspensa em um abismo, é um homem à beira da morte. Uma mistura perigosa quando tem à disposição uma arma de combate poderosa.

Essa pequena “tragédia patética” do herói – entre a morte iminente e a forma infantil que ele reage à essa possibilidade – apenas ajuda a ligá-lo mais ao público, a torná-lo mais humano, a suspender a descrença habitual em um filme que lida com super-heróis. Isso normalmente é mais fácil quando o público abraça uma trama com heróis de poderes inumanos. Em uma trama como a de Homem de Ferro, com um pé na realidade, baseada em conquistas tecnológicas, tudo precisa ser muito bem balanceado para não se tornar ridículo. O diretor Jon Favreu ( que atua no filme como o motorista de Stark ) alcançou esse equilíbrio: “Homem de Ferro” é, de forma consolidada, uma franquia que deu certo. Pipoca sim, das boas, sabor manteiga com um bom refrigerante...
MULTIVERSO
Já havia acontecido antes no final do “HULK” com Edward Norton: a Marvel está, pouco a pouco, unindo seu universo de personagens e criando uma espécie de “multiverso”. Espere para breve o encontro de diferentes personagens e heróis em um mesmo filme.
No final de HULK, o próprio Downey Jr. faz uma ponta como Tony Stark, aparecendo ao General Ross e dizendo a ele que estão “montando uma equipe”. Em “Homem de Ferro 2”, o escudo do Capitão América – um protótipo em desenvolvimento – faz uma aparição de luxo. Nick Fury – vivido em “Homem de Ferro 2” por Samuel Jackson – também dá as caras no novo filme e, mais tarde, oficialmente convoca Stark para a “Iniciativa Vingadores”. Some a isso que a Marvel já anunciou o intérprete de “THOR” – filme que está em pré-produção – e está trabalhando em “Capitão América” e ligue as pontas: em alguns anos, o filme dos “VINGADORES” deve ganhar vida, juntando diversos heróis Marvel.

9 comentários:

maicon2011 disse...

Crossovers são realmente a ultima barreira a ser transporta por Hollywood! eu encaro de uma forma magnificamente positiva :P

Scarlet Johansson.... :)

maicon2011 disse...

*transposta

- E eles vão gastar milhões em cachê para os protagonistas.
- E o texto está muito maneiro, Sr. Rockenbach

analiseindiscreta disse...

'De certa forma, o Homem de Ferro é um dos mais anti-americanos de todos os heróis."

Concordo. E de uma forma meio caricata, que até lembra aquelas comédias americanas das décadas de 30 e 40, que mostram o americano meio malandro, cafajeste e que, no final das contas, é a imagem mais deliciosa que eles podem passar aos cinemas.

pseudo-autor disse...

Finalmente alguém que sabe fazer uma continuação! Não fez como o Michael Bay que largou a responsabilidade na beleza da Megan Fox. Merece um terceiro para fechar uma trilogia com esmero.

Cultura? O lugar é aqui:
http://culturaexmachina.blogspot.com

maicon2011 disse...

o primeiro Transformers tinha méritos alem da beleza de Megan Fox??? Uau! bom saber!

analiseindiscreta disse...

Hahaha. Eu também não sabia disso.

Pedro Henrique disse...

Não gosto muito do Iron Man (o dos quadrinhos), e não passei a gostar depois dos filmes. Prefiro o primero, acho, não sei. Acho ambos muito iguais, mas prefiro muito mais os textos do anterior, os diálogos são mais agradáveis, afinal. Mas vale a pipoca, cumpre o objetivo principal.

CiNe ViTa disse...

Gostei do filme, apesar das falhas. Belo entretenimento. [***]

Otavio disse...

Como diria Marlon Brando em APOCALYPSE NOW, "o horror... o horror..."

Abs,

Otavio

Postar um comentário